sorte ou animais pesados
para R.
juntei referências incríveis na oficina hoje, só depois me dei conta, quer dizer durante, se digo Bortagaray e Durastanti, elas não estavam lado a lado até então, eu forço B com D e concluo: tudo a ver! literalmente tudo é dado a ver, eu fragmento, e de novo, quantas vezes precisar até encontrar (ou criar) as semelhanças. além disso, tem um antes, fundamental: de frente pra estante eu digo uma palavra norte eu digo SORTE ou ANIMAIS PESADOS e os livros levitam, vêm parar na minha mão. eu confio, o que preciso está ali.
a proposta era escrever casos de família.
não lembro qual palavra eu disse em voz alta de frente pra estante.
fui de chinelo e levei o tênis, fiquei descalça o tempo todo. falei muita frase pela metade, nota zero pra mim, minhas ideias assim, sabe? não posso fazer o que faço quando abro um áudio pra você, exigindo um complete de quem ouve. mas especialmente hoje, as ideias montavam umas nas outras, um gif pirâmide, infinito. por educação ou não, quando perguntei aos participantes se fazia sentido o que eu tava dizendo, eles assentiram com a cabeça.
No aniversário do avô da M, 94 aninhos, as mesas estavam enfeitadas com potes de vidro, macarrão dentro, e teve bingo, além de sorvete e suco de limão; ela escreveu tudo. B. narrou o ritual do tio Custódio de matar a galinha, ou era porco?, cozinhar devagar, os miúdos junto, comer na mesa de fora. A. desmontou o Audi A3 azul da família, fim das férias; você sabia que audi quer dizer ouça em alemão? Não lembro muito mais. Pé de jaca. Piso vermelho. Bolinhas de gude na grama. Um sítio de nome Jangada. Pescar piranha, assistir o jacaré comer as piranhas. Risadinhas. O palhaço do Opala Preto, a vó rezando o terço, os postes da Inés.
26.04.2025
as duas referências que citei na correspondência são:
BORTAGARAY, Inés. Um, dois e já. São Paulo: Cosac Naify, 2014. Tradução de Miguel del Castilho.
DURASTANTI, Claudia. A estrangeira. São Paulo: Todavia, 2021. Tradução de Francesca Cricelli.


Tudo que você fala faz todo sentido no mundo pq a gente ouve com o coração