vai, besta
para D.
uma besta. primeiro encurvada e pequena, depois grande porque peluda. ela pressente as presas pelos pés que se arqueiam. é sábado ou domingo. você era tão calminha, você. besta, tão bestinha. se tem sol pode chover. as presas te olham sincero porque se vestem como bichos perigosos, e têm dentes. você não é a besta, eu não sou eu. a besta responde a todas perguntas educadamente, sim-sim, sim-sim. os animais riem e ela também, é parte do grupo. ri sem dentes, pra que não percebam. (eles não desconfiam). é outono ou uma tarde na escola: a besta cai e alguém dos bichos ri. ela não quer rir nessa hora, porque bate a boca no chão e está sangrando. o alguém que riu diz algo desnecessário. espera. desnecessário é muito subjetivo. o alguém que riu diz algo maldoso. ouvimos o dona besta, ninguém caiu, por favor levante-se; por favor; e ria. por classificação a besta não é um animal perigoso. também não é uma anta. ela levanta e ri com o corpo imóvel. fica confuso. aqueles animais são suas presas. seu sorriso baba vermelho e o resto fica pelos adjetivos desta cena: assustador bestial maternal espumante. a besta vai atacar e rir, como quiseram. ela ia atacar. existem montanhas de nível baixo e montanhas de nível difícil, infelizmente num texto não dá pra filmar tudo. só tinha uma janela: a besta enxerga ao longe a mãe dela, no alto da montanha difícil, e vai embora sendo besta.
18.05.2026


Como é bom te ler